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CRN-3 26.791
Entendendo a SOP

Exames para investigar SOP: a lista para levar à consulta médica

Uma lista organizada dos exames usados para diagnosticar SOP, descartar outras causas e acompanhar o metabolismo. Para conversar com o seu médico.

Exames para investigar SOP: a lista para levar à consulta médica (imagem ilustrativa)

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Resposta rápida

Para investigar SOP, o médico costuma pedir teste de gravidez, TSH, prolactina e 17-hidroxiprogesterona para descartar outras causas, testosterona total e livre para avaliar androgênios e, em adultas, ultrassom transvaginal ou AMH. Depois do diagnóstico, curva glicêmica, perfil lipídico e pressão arterial acompanham o metabolismo.

O que levar deste texto

  • Os exames têm três funções: confirmar critérios, descartar outras doenças e avaliar o metabolismo.
  • Não existe um exame único que diagnostique SOP, e o AMH não deve ser usado sozinho.
  • A diretriz recomenda avaliar a glicemia de todas as mulheres com SOP, de preferência com curva glicêmica.
  • Quem pede e interpreta os exames é o médico; a nutricionista usa os resultados para montar o plano.

Não existe um exame único que diagnostique SOP. A investigação junta histórico, exame físico e alguns exames com três objetivos: confirmar os critérios de Rotterdam (ciclo irregular, excesso de androgênios e ovário policístico), descartar doenças que imitam a SOP e avaliar o metabolismo, que costuma ser afetado mesmo em mulheres magras.

A lista abaixo segue a Diretriz Internacional Baseada em Evidências para SOP de 2023. Ela serve para você chegar à consulta mais preparada. Quem decide quais exames pedir, quando colher e como interpretar é o ginecologista ou o endocrinologista.

Antes de tudo: o histórico

O exame mais importante não sai do laboratório. Anote antes da consulta:

  • Data das últimas menstruações e o intervalo entre elas (ciclos com menos de 21 ou mais de 35 dias, ou menos de oito menstruações por ano, chamam atenção em adultas).
  • Se já ficou mais de 90 dias sem menstruar.
  • Acne, pelos em excesso, queda de cabelo e há quanto tempo apareceram.
  • Mudanças de peso, fome, vontade de doce e sono.
  • Remédios e anticoncepcionais em uso, e desde quando.
  • Casos de SOP, diabetes ou colesterol alto na família.

O Mapa da SOP ajuda a organizar esses sinais em poucos minutos.

1. Exames para descartar outras causas

Vários problemas causam ciclo irregular e excesso de androgênios. A diretriz recomenda excluir, no mínimo:

  • Beta-hCG: teste de gravidez, sempre que houver atraso menstrual.
  • TSH: alterações da tireoide bagunçam o ciclo. Leia mais em SOP e tireoide.
  • Prolactina: quando elevada, causa atraso ou falta de menstruação.
  • 17-hidroxiprogesterona: para afastar hiperplasia adrenal congênita não clássica. Costuma ser colhida pela manhã, no início do ciclo quando a mulher menstrua.

Em quem está sem menstruar, o médico pode pedir também FSH e estradiol, para avaliar insuficiência ovariana ou alterações do eixo cérebro-ovário. Se houver sinais intensos ou de surgimento rápido (pelos crescendo muito depressa, voz mais grave, aumento do clitóris), a investigação avança para excluir tumores produtores de androgênios e síndrome de Cushing.

2. Exames para avaliar os androgênios

  • Testosterona total e testosterona livre (calculada) ou índice de androgênio livre.
  • SHBG: proteína que transporta a testosterona. Quando está baixa, sobra mais testosterona livre; costuma cair quando a insulina está alta.
  • Androstenediona e DHEA-S: podem ser pedidos quando a testosterona vem normal e a suspeita continua.

Um cuidado: o anticoncepcional hormonal altera esses resultados. Se você usa pílula, avise o médico. Ele vai decidir se o exame faz sentido agora ou se vale reavaliar em outro momento. Não suspenda o anticoncepcional por conta própria para fazer exame.

3. Exames para avaliar o ovário

  • Ultrassom transvaginal: avalia o número de folículos e o volume do ovário. Pelo critério atual, com aparelho adequado, considera-se morfologia policística a partir de 20 folículos por ovário ou volume ovariano de 10 ml ou mais.
  • Hormônio antimülleriano (AMH): em adultas, a diretriz de 2023 passou a aceitá-lo como alternativa ao ultrassom para definir a morfologia policística. Ele não deve ser usado sozinho para diagnosticar SOP.

Na adolescência, nem ultrassom nem AMH entram no diagnóstico nos primeiros 8 anos após a primeira menstruação, porque ovários com muitos folículos são normais nessa fase. E se a mulher adulta já tem ciclo irregular e androgênios altos, o diagnóstico está feito sem precisar do ovário.

E a relação LH/FSH?

Muita gente ainda ouve que "LH maior que o FSH confirma SOP". A diretriz não recomenda usar LH, FSH ou a relação entre eles para diagnóstico, porque variam muito ao longo do ciclo e muitas mulheres com SOP têm valores normais.

4. Exames metabólicos (depois do diagnóstico)

Essa parte costuma ser esquecida, e é a que mais conversa com a nutrição:

  • Curva glicêmica de 75 g (TOTG): a diretriz recomenda avaliar a glicemia de todas as mulheres com SOP, com qualquer peso, de preferência com esse teste. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada são alternativas quando a curva não é possível. A reavaliação costuma ser feita a cada um a três anos, conforme o risco.
  • Perfil lipídico: colesterol total, HDL, LDL e triglicérides.
  • Pressão arterial, peso e circunferência da cintura, medidos na consulta.

Insulina de jejum e HOMA-IR

São exames muito pedidos, e eu entendo o motivo: ajudam a enxergar a resistência à insulina. Mas a diretriz não os recomenda como rotina para diagnóstico, porque os métodos laboratoriais variam e não existe ponto de corte padronizado. Se foram pedidos, o médico e a nutricionista interpretam junto com o restante do quadro. Explico isso em HOMA-IR, insulina de jejum e curva glicêmica.

5. Outros exames que podem entrar, conforme o caso

  • Enzimas do fígado e ultrassom de abdome, quando há suspeita de gordura no fígado.
  • Hemograma e ferritina, principalmente com queda de cabelo ou sangramento intenso.
  • Vitamina B12, em quem usa metformina há bastante tempo, porque o remédio pode reduzir sua absorção.
  • Avaliação do endométrio, quando há longos períodos sem menstruar ou sangramento fora do padrão.
  • Triagem de ansiedade, depressão e apneia do sono, que também fazem parte do cuidado recomendado.

Como a nutricionista usa esses exames

Na consulta de nutrição, eu não diagnostico SOP e não troco medicação. O que faço é ler os exames junto com a sua rotina: uma curva glicêmica alterada muda a forma de montar as refeições, triglicérides altos pedem atenção a açúcar e álcool, ferritina baixa muda escolhas de proteína e a combinação dos alimentos. Por isso vale levar os resultados mais recentes e, se tiver, os antigos também, para comparar a evolução.

Com que frequência repetir

Depois do diagnóstico, não é preciso refazer toda a investigação hormonal a cada consulta. O que costuma ser acompanhado com regularidade é o metabolismo: glicemia a cada um a três anos (ou antes, se houver ganho de peso, planejamento de gestação ou outros fatores de risco), perfil lipídico conforme o resultado anterior e pressão arterial pelo menos uma vez por ano. Antes de tentar engravidar, o médico costuma revisar glicemia, pressão e vitaminas. O intervalo certo para você é definido na consulta médica.

Se você quer transformar esses números em um plano possível para o seu dia a dia, conheça o acompanhamento nutricional para SOP, em São Paulo (Vila Nova Conceição) ou online.

Perguntas frequentes

Qual exame de sangue detecta SOP?

Nenhum exame isolado detecta SOP. Testosterona total e livre ajudam a confirmar excesso de androgênios, e TSH, prolactina e 17-hidroxiprogesterona descartam outras causas. O diagnóstico junta esses dados com o histórico e, em adultas, ultrassom ou AMH.

AMH alto é SOP?

Não necessariamente. Em adultas, o AMH pode ser usado como alternativa ao ultrassom para avaliar o ovário, mas não deve ser usado sozinho para diagnosticar SOP. Na adolescência, não é recomendado para diagnóstico.

Em que dia do ciclo fazer os exames hormonais para SOP?

Quando a mulher menstrua, muitos médicos pedem a coleta no início do ciclo, entre o segundo e o quinto dia. Em quem não menstrua, a coleta pode ser feita em qualquer dia, depois de descartar gravidez. Siga a orientação do seu médico.

Posso fazer exames de SOP tomando anticoncepcional?

O anticoncepcional hormonal altera testosterona, SHBG e outros hormônios, o que dificulta a interpretação. Avise o médico que você usa a pílula. Ele decide o melhor momento para os exames. Não suspenda o anticoncepcional por conta própria.

Ultrassom normal descarta SOP?

Não. Uma mulher com ciclo irregular e excesso de androgênios tem SOP mesmo com ovário de aspecto normal no ultrassom. É o chamado fenótipo B.

Precisa de curva glicêmica mesmo sendo magra?

A diretriz internacional de 2023 recomenda avaliar a glicemia de todas as mulheres com SOP, independentemente do peso, de preferência com curva glicêmica de 75 g. Mulheres magras também podem ter resistência à insulina.

Carol Faria, nutricionista

Carol Faria

Nutricionista (CRN-3 26.791) e educadora física. Diagnosticada com SOP aos 14 anos, cuida de mulheres com SOP, resistência à insulina, fertilidade e gestação no consultório da Vila Nova Conceição, em São Paulo, e online.

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Este conteúdo é informativo e não substitui consulta individual com nutricionista ou médico. Não altere medicamentos sem orientação médica.

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