SOP: o que é, sintomas e como é feito o diagnóstico
A SOP é uma condição hormonal e metabólica, não só um problema do ovário. Veja os sintomas mais comuns e como o médico fecha o diagnóstico.

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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição hormonal e metabólica que costuma envolver ciclos irregulares, excesso de hormônios androgênicos e, em muitos casos, resistência à insulina. O diagnóstico em adultas segue os critérios de Rotterdam: pelo menos dois de três sinais, depois de descartadas outras causas.
O que levar deste texto
- SOP é uma condição hormonal e metabólica, não uma doença que nasce no ovário.
- O diagnóstico em adultas pede dois de três sinais: ciclo irregular, excesso de androgênios e ovário policístico (no ultrassom ou pelo AMH).
- Antes de fechar o diagnóstico, o médico precisa descartar tireoide, prolactina e outras causas parecidas.
- Não tem cura, mas alimentação, movimento, sono e manejo do estresse mudam muito o quadro.
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma alteração hormonal e metabólica que afeta mulheres em idade reprodutiva. Ela costuma aparecer como menstruação irregular, sinais de excesso de hormônios androgênicos (acne, pelos em excesso, queda de cabelo) e, muitas vezes, resistência à insulina. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a SOP atinge algo entre 6% e 13% das mulheres em idade reprodutiva, e até 70% delas ainda não têm diagnóstico.
O diagnóstico é clínico e laboratorial. Em mulheres adultas, o médico usa os critérios de Rotterdam, atualizados pela Diretriz Internacional Baseada em Evidências para SOP de 2023: é preciso ter pelo menos dois de três sinais (disfunção ovulatória, excesso de androgênios e morfologia de ovário policístico) e, antes disso, descartar outras doenças que imitam o quadro.
SOP é um problema do ovário?
Apesar do nome, não. O ovário sofre as consequências de um desequilíbrio que envolve o cérebro, a insulina, a gordura corporal e as glândulas que produzem hormônios. Quando a insulina circula em excesso, por exemplo, ela estimula o ovário a produzir mais androgênios. Esse excesso atrapalha o amadurecimento dos folículos, a ovulação fica irregular e a menstruação atrasa.
Essa visão é tão aceita hoje que, em maio de 2026, um consenso internacional publicado na revista The Lancet propôs um novo nome em inglês para a condição: polyendocrine metabolic ovarian syndrome (PMOS), algo como "síndrome ovariana metabólica poliendócrina", em tradução livre. A troca de nome ainda está em fase de transição, e no Brasil a sigla SOP segue sendo a mais usada no consultório e nos exames. O recado da mudança é simples: não é só ovário, é metabolismo também.
Quais são os sintomas mais comuns da SOP
Nenhuma mulher tem todos os sintomas, e a intensidade varia muito. Os sinais que mais levantam a suspeita são:
- Menstruação irregular: ciclos muito longos (mais de 35 dias), muito curtos (menos de 21 dias), menos de oito menstruações por ano ou meses sem menstruar.
- Acne persistente, principalmente no queixo, mandíbula e costas, que não melhora como a acne comum.
- Hirsutismo: pelos grossos em lugares como buço, queixo, peito, barriga e costas.
- Queda de cabelo no topo da cabeça, com o couro cabeludo mais aparente.
- Pele e cabelo oleosos.
- Dificuldade para engravidar, porque a ovulação fica irregular.
- Ganho de peso concentrado na barriga e dificuldade para emagrecer.
- Manchas escuras em dobras como pescoço e axilas (acantose nigricans), sinal ligado ao excesso de insulina.
- Fome difícil de controlar e vontade intensa de doce, muito comum quando existe resistência à insulina.
Também é frequente a SOP vir acompanhada de alterações de humor, ansiedade e sono ruim. Se você quer organizar o que sente antes da consulta, o Mapa da SOP ajuda a marcar os sinais e receber uma leitura inicial. Ele não substitui o diagnóstico, mas deixa a conversa com o médico muito mais objetiva.
Como é feito o diagnóstico da SOP
Os três critérios de Rotterdam
- Disfunção ovulatória: ciclos irregulares ou ausência de menstruação.
- Hiperandrogenismo: clínico (acne, hirsutismo, queda de cabelo) ou confirmado em exame de sangue, como testosterona total e livre.
- Morfologia de ovário policístico: vista no ultrassom transvaginal ou, em adultas, sugerida pelo hormônio antimülleriano (AMH).
Em adultas, dois desses três já bastam. Se a mulher tem ciclo irregular e excesso de androgênios, nem precisa de ultrassom para o diagnóstico. A diretriz de 2023 passou a aceitar o AMH como alternativa ao ultrassom para avaliar o ovário em adultas, mas deixou claro que ele não deve ser usado sozinho para diagnosticar SOP.
Descartar o que imita a SOP
Várias condições causam sintomas parecidos. Por isso, o médico costuma pedir TSH (tireoide), prolactina e 17-hidroxiprogesterona (para afastar hiperplasia adrenal congênita não clássica), além de teste de gravidez. Em casos com sinais mais intensos, como surgimento rápido de pelos ou voz mais grave, a investigação vai além, para excluir tumores produtores de androgênios e síndrome de Cushing. A lista completa está no texto sobre exames para investigar SOP.
E na adolescência?
Nas meninas, as regras mudam. Nos primeiros anos depois da primeira menstruação, ciclo irregular é esperado, e ovários com muitos folículos são comuns. A diretriz recomenda não usar ultrassom nem AMH para diagnóstico nos primeiros 8 anos após a primeira menstruação. Na adolescência, é preciso ter os dois: ciclo irregular para a idade e excesso de androgênios.
Ter "cistos no ovário" é o mesmo que ter SOP?
Não. Os "cistos" que aparecem no laudo são, na verdade, folículos pequenos que não completaram o amadurecimento. Muitas mulheres saudáveis têm esse aspecto no ultrassom sem ter SOP, e muitas mulheres com SOP têm ovário de aspecto normal. Expliquei essa confusão em detalhes no artigo ovário policístico no ultrassom é o mesmo que SOP?
Por que o diagnóstico importa tanto
A SOP não mexe só com a menstruação. Sem acompanhamento, ela aumenta o risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2, colesterol e triglicérides alterados, gordura no fígado, apneia do sono e diabetes gestacional. Ficar longos períodos sem menstruar também expõe o endométrio (a camada interna do útero) a estímulo contínuo, o que merece acompanhamento médico. Somam-se a isso a ansiedade e a depressão, mais frequentes em quem tem SOP.
Por isso a diretriz recomenda avaliar a glicemia de todas as mulheres com SOP, de preferência com curva glicêmica, independentemente do peso, além de acompanhar pressão, perfil lipídico e saúde emocional.
Como a SOP é tratada
A SOP não tem cura, mas tem controle. O tratamento depende do que mais incomoda e do momento de vida: regular o ciclo, tratar pele e pelos, engravidar, proteger o metabolismo. Medicamentos como anticoncepcional e metformina podem fazer parte, sempre com indicação do ginecologista ou do endocrinologista.
A mudança de estilo de vida é recomendada para todas as mulheres com SOP, de qualquer peso. Quando existe excesso de peso, perder de 5% a 10% já pode melhorar ciclos e ovulação. No consultório, eu trabalho com quatro pilares: alimentação, movimento, sono e gestão do estresse. Fui diagnosticada com SOP aos 14 anos e sei, na pele, como faz diferença entender o próprio corpo em vez de só esconder os sintomas.
Se você recebeu o diagnóstico ou desconfia de SOP, veja como é o acompanhamento nutricional para SOP, em São Paulo (Vila Nova Conceição) ou online.
Perguntas frequentes
Quais são os primeiros sinais de SOP?
Os mais comuns são menstruação irregular ou ausente, acne persistente, aumento de pelos no rosto e no corpo, queda de cabelo, oleosidade e dificuldade para perder peso, principalmente na barriga. Ter um ou dois sinais não fecha diagnóstico: vale procurar o ginecologista ou o endocrinologista para investigar.
Qual médico diagnostica SOP?
O ginecologista e o endocrinologista são os especialistas que costumam diagnosticar e tratar a SOP. A nutricionista trabalha junto, cuidando da alimentação e do estilo de vida, que influenciam diretamente a insulina e os hormônios.
Dá para ter SOP e menstruar todo mês?
Sim. Algumas mulheres têm ciclos regulares e mesmo assim têm SOP, desde que apresentem excesso de androgênios e ovário com morfologia policística. Menstruar todo mês também não garante que a ovulação esteja acontecendo.
Exame de sangue confirma SOP?
Não existe um único exame que confirme SOP. O diagnóstico junta histórico, exame físico, exames de sangue (como testosterona) e, em adultas, ultrassom ou AMH, além de descartar outras causas como tireoide e prolactina alta.
SOP mudou de nome?
Em maio de 2026, um consenso internacional publicado na The Lancet propôs o nome em inglês polyendocrine metabolic ovarian syndrome (PMOS), para mostrar que a condição é hormonal e metabólica. A adoção é gradual, e no Brasil a sigla SOP continua sendo a mais usada.
Quem tem SOP precisa emagrecer?
Não necessariamente. Mulheres com peso adequado também têm SOP. Quando há excesso de peso, uma perda de 5% a 10% pode melhorar ciclos e ovulação. Para todas, o foco é cuidar da insulina, da alimentação, do sono e do estresse.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta individual com nutricionista ou médico. Não altere medicamentos sem orientação médica.
"Minha menstruação some e ninguém me explica o porquê."




