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CRN-3 26.791
Resistência à insulina

HOMA-IR, insulina de jejum e curva glicêmica: como entender os exames

Glicemia, hemoglobina glicada, curva glicêmica e HOMA-IR medem coisas diferentes. Entenda cada exame, os valores oficiais e o que eles não conseguem dizer.

HOMA-IR, insulina de jejum e curva glicêmica: como entender os exames (imagem ilustrativa)

Imagem ilustrativa

Resposta rápida

Glicemia de jejum, hemoglobina glicada e teste oral de tolerância à glicose (curva glicêmica) são os exames com valores oficiais da Sociedade Brasileira de Diabetes para classificar normal, pré-diabetes e diabetes. Insulina de jejum e HOMA-IR ajudam a estimar resistência à insulina, mas não têm ponto de corte universal e devem ser interpretados pelo médico.

O que levar deste texto

  • Só glicemia de jejum, hemoglobina glicada e curva glicêmica têm valores oficiais de diagnóstico.
  • HOMA-IR não tem ponto de corte universal e varia conforme laboratório e população.
  • Na SOP, a curva glicêmica com 75 g de glicose é considerada o teste mais preciso para avaliar a glicose.
  • Fazer dieta muito restrita em carboidrato antes da curva pode alterar o resultado.

Os exames usados para investigar a glicose e a insulina medem coisas diferentes. Glicemia de jejum, hemoglobina glicada e teste oral de tolerância à glicose (a curva glicêmica) são os únicos com valores oficiais, definidos pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), para dizer se o resultado é normal, pré-diabetes ou diabetes.

Já a insulina de jejum e o HOMA-IR servem para estimar a resistência à insulina, mas não existe um ponto de corte universal para eles. O mesmo número pode ter significados diferentes conforme o laboratório, a idade e o contexto de cada mulher. Por isso, quem interpreta é o médico, olhando o conjunto.

Glicemia de jejum

Mede a glicose no sangue depois de 8 a 12 horas sem ingerir calorias. É barata, simples e faz parte do check-up. Valores da SBD:

  • Normal: abaixo de 100 mg/dL
  • Pré-diabetes: de 100 a 125 mg/dL
  • Diabetes: 126 mg/dL ou mais

O que ela não mostra: na fase inicial da resistência à insulina, o pâncreas produz mais insulina justamente para manter a glicemia de jejum normal. Por isso um resultado bom não descarta o problema.

Hemoglobina glicada (HbA1c)

Mostra uma média aproximada da glicose dos últimos três meses. Não precisa de jejum para ser confiável. Valores da SBD:

  • Normal: abaixo de 5,7%
  • Pré-diabetes: de 5,7% a 6,4%
  • Diabetes: 6,5% ou mais

O que ela não mostra: os picos de glicose depois das refeições ficam diluídos na média. Anemias, perda de sangue recente e algumas alterações da hemoglobina também podem interferir no resultado, e o médico leva isso em conta.

Teste oral de tolerância à glicose (curva glicêmica)

Você colhe sangue em jejum, toma uma solução com 75 g de glicose e colhe de novo depois de 1 hora e de 2 horas. O exame mostra como o corpo lida com uma carga de açúcar, e é por isso que ele pega alterações que a glicemia de jejum não mostra. Valores da SBD:

  • Em 1 hora: normal abaixo de 155 mg/dL; pré-diabetes de 155 a 208 mg/dL; diabetes 209 mg/dL ou mais
  • Em 2 horas: normal abaixo de 140 mg/dL; pré-diabetes de 140 a 199 mg/dL; diabetes 200 mg/dL ou mais

A Diretriz Internacional Baseada em Evidências para SOP (2023) considera a curva com 75 g de glicose o teste mais preciso para avaliar a glicose de mulheres com SOP, independentemente do peso, e recomenda considerá-la principalmente para quem planeja engravidar.

Na gestação os critérios são outros. Os valores acima não servem para diagnosticar diabetes gestacional.

E a curva de insulina?

Alguns médicos pedem a dosagem de insulina junto com a glicose nos mesmos tempos da curva. Ela pode mostrar um pâncreas trabalhando muito para manter a glicose normal. Só que não há critério diagnóstico oficial para esses valores de insulina, e a leitura depende do médico que pediu o exame.

Insulina de jejum

Mede quanta insulina está circulando depois do jejum. Insulina alta com glicose normal sugere que o corpo está compensando uma resistência. O problema é que os métodos de dosagem variam entre laboratórios, e por isso os valores de referência também mudam. Um número que parece alto em um laboratório pode estar dentro da faixa em outro. Compare sempre com a referência impressa no seu laudo e leve para o médico.

HOMA-IR

O HOMA-IR não é um exame de sangue separado. É uma conta feita com dois resultados que você já tem: glicemia de jejum e insulina de jejum. A fórmula mais usada é:

HOMA-IR = (insulina de jejum em µU/mL × glicemia de jejum em mg/dL) ÷ 405

Quanto maior o número, maior a estimativa de resistência à insulina. Mas aqui mora a confusão mais comum no consultório: não existe um valor de corte universal para o HOMA-IR. Os estudos que tentaram definir um limite chegaram a números diferentes conforme a população, a idade, o peso e o método de dosagem da insulina. Por isso você encontra na internet listas com valores que não batem entre si.

A própria Diretriz Internacional para SOP (2023) reconhece a resistência à insulina como parte central da síndrome, mas afirma que as medidas disponíveis na rotina são imprecisas e não recomenda medir resistência à insulina de forma rotineira na prática clínica. O HOMA-IR pode ajudar o médico a acompanhar uma mesma paciente ao longo do tempo, no mesmo laboratório. Ele não deve ser usado sozinho para rotular ninguém.

Como se preparar para os exames

  • Jejum: 8 a 12 horas sem ingerir calorias. Água pode.
  • Antes da curva glicêmica: a SBD orienta manter a alimentação habitual nos três dias anteriores, com pelo menos 150 g de carboidrato por dia. Quem faz low carb muito restrita ou jejum prolongado antes do exame pode ter um resultado artificialmente alterado. Se você segue uma dieta restrita, avise o médico.
  • Durante a curva: fique sentada e em repouso. Não fume, não coma e não caminhe pelo laboratório.
  • Medicamentos: informe ao médico tudo o que você usa, inclusive anticoncepcional, corticoides e suplementos. Não suspenda nada por conta própria.
  • Doença aguda: febre, infecção ou uma noite sem dormir podem alterar a glicose. Se for o caso, converse sobre remarcar.

Por que um exame alterado pode precisar ser repetido

Segundo a SBD, quando só um exame vem alterado, ele deve ser repetido para confirmar. A exceção é quando glicemia de jejum e hemoglobina glicada vêm, na mesma amostra, ambas na faixa de diabetes. Por isso não entre em pânico com um resultado isolado, e também não ignore: marque o retorno.

Outros exames que costumam entrar na avaliação

Dependendo do caso, o médico pode pedir perfil lipídico (colesterol e triglicérides), enzimas do fígado, ultrassom de abdome para avaliar gordura no fígado, TSH e exames hormonais ligados à SOP. A lista completa para a investigação da síndrome está em exames para investigar SOP.

O que fazer com os resultados

Leve todos os laudos, de preferência com os anteriores, para comparar a evolução. O médico interpreta e define se há necessidade de medicamento. Na consulta de nutrição, eu uso esses resultados para ajustar o plano alimentar: distribuição de carboidratos, quantidade de proteína, horários das refeições e estratégias para os momentos de mais fome. Em casos de pré-diabetes, veja também o que muda na alimentação a partir do diagnóstico.

Se você quer ajuda para transformar esses números em um prato possível de seguir, atendo em São Paulo, na Vila Nova Conceição, e online. Conheça o acompanhamento para resistência à insulina.

Perguntas frequentes

Qual o valor normal do HOMA-IR?

Não existe um valor normal universal. Os limites propostos variam conforme a população estudada, a idade, o peso e o método de dosagem da insulina de cada laboratório. Por isso o HOMA-IR deve ser interpretado pelo médico junto com os outros exames e sinais clínicos.

Insulina de jejum alta com glicemia normal é resistência à insulina?

Pode ser um indício, porque o pâncreas produz mais insulina para manter a glicose normal. Mas os valores de insulina mudam entre laboratórios e não há critério oficial isolado. Quem fecha a interpretação é o médico, avaliando o conjunto.

Posso fazer low carb antes da curva glicêmica?

Não é recomendado. A Sociedade Brasileira de Diabetes orienta manter a alimentação habitual, com pelo menos 150 g de carboidrato por dia nos três dias antes do exame. Uma dieta muito restrita pode alterar o resultado. Avise o médico se você segue alguma restrição.

Hemoglobina glicada de 5,7% é pré-diabetes?

Pelos critérios da Sociedade Brasileira de Diabetes, hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4% está na faixa de pré-diabetes. Um exame isolado alterado costuma ser repetido para confirmar, e a avaliação final é do médico.

Quem tem SOP precisa fazer curva glicêmica?

A Diretriz Internacional para SOP de 2023 considera a curva com 75 g de glicose o teste mais preciso para avaliar a glicose na síndrome, independentemente do peso, e recomenda considerá-la antes de engravidar ou de tratamentos de fertilidade. O médico define quando pedir.

Carol Faria, nutricionista

Carol Faria

Nutricionista (CRN-3 26.791) e educadora física. Diagnosticada com SOP aos 14 anos, cuida de mulheres com SOP, resistência à insulina, fertilidade e gestação no consultório da Vila Nova Conceição, em São Paulo, e online.

Conhecer a Carol

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta individual com nutricionista ou médico. Não altere medicamentos sem orientação médica.

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