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Pele, cabelo e pelos

Excesso de pelos no rosto e no corpo (hirsutismo): causas e cuidados

Pelos grossos e escuros no queixo, no pescoço ou na barriga mexem com a autoestima. Entenda as causas do hirsutismo, o que investigar e o que realmente ajuda.

Excesso de pelos no rosto e no corpo (hirsutismo): causas e cuidados (imagem ilustrativa)

Imagem ilustrativa

Resposta rápida

Hirsutismo é o crescimento de pelos grossos e escuros em áreas de padrão masculino, como queixo, buço, pescoço, colo, barriga e costas. A causa mais comum é a SOP, pelo excesso de androgênios estimulado pela insulina alta. O cuidado combina investigação médica, tratamento hormonal quando indicado, métodos de remoção dos pelos e ajustes na rotina.

O que levar deste texto

  • Hirsutismo é pelo grosso e escuro em padrão masculino, diferente de pelo fino e claro.
  • A SOP é a causa mais comum, mas outras causas precisam ser descartadas pelo médico.
  • Pelos que surgem muito rápido, com voz grossa ou outros sinais de virilização, pedem avaliação urgente.
  • Melhorar a insulina reduz o estímulo hormonal, mas os pelos respondem devagar, ao longo de meses.

Hirsutismo é o crescimento de pelos grossos, escuros e duros em regiões onde, normalmente, eles aparecem nos homens: queixo, buço, costeletas, pescoço, colo, ao redor dos mamilos, na linha abaixo do umbigo, nas costas e na parte interna das coxas. Na maioria das mulheres, a causa é a SOP, com excesso de androgênios estimulado pela insulina alta.

O cuidado envolve três frentes: investigação e tratamento com o médico, métodos para remover os pelos que já existem e ajustes na rotina que diminuem o estímulo hormonal. A alimentação ajuda nessa terceira parte, mas não faz os pelos atuais desaparecerem, e os resultados de qualquer tratamento aparecem devagar.

Hirsutismo ou apenas pelos mais visíveis?

Nem todo pelo que incomoda é hirsutismo. Vale diferenciar:

  • Hirsutismo: pelo terminal, grosso e escuro, em padrão masculino, dependente de androgênios
  • Hipertricose: aumento de pelos, geralmente finos, espalhados pelo corpo todo, sem padrão masculino e sem relação direta com androgênios. Pode ser genética ou causada por alguns medicamentos
  • Variação familiar e de origem étnica: mulheres de algumas origens, como mediterrânea, árabe e sul-asiática, naturalmente têm mais pelos, sem que isso seja doença

Para avaliar, o médico costuma usar a escala de Ferriman-Gallwey modificada, que dá uma pontuação para a quantidade de pelos em nove áreas do corpo. O ponto de corte varia conforme a origem étnica, por isso a interpretação é sempre clínica.

Por que a SOP faz os pelos crescerem

O pelo do corpo feminino costuma ser fino e claro. Quando há androgênios em excesso, como a testosterona, os folículos de certas áreas são estimulados a produzir pelos mais grossos, mais escuros e mais longos. Uma vez transformado, aquele folículo tende a continuar produzindo pelo terminal.

Na SOP, a insulina alta tem um papel importante nesse processo. Ela estimula os ovários a fabricar mais androgênios e reduz a SHBG, a proteína que segura a testosterona no sangue. Com menos SHBG, sobra mais hormônio livre agindo no folículo. Por isso o hirsutismo pode aparecer mesmo quando a testosterona total do exame vem pouco alterada. Entenda mais em o que é resistência à insulina.

O hirsutismo é um dos sinais de hiperandrogenismo usados nos critérios de Rotterdam para o diagnóstico da SOP. Se você quer entender como ele se encaixa nos diferentes perfis da síndrome, leia os 4 tipos de SOP.

Outras causas que o médico precisa descartar

  • Hiperplasia adrenal congênita não clássica, uma alteração genética das glândulas suprarrenais que pode imitar a SOP. Costuma ser investigada com a dosagem de 17-hidroxiprogesterona
  • Hirsutismo idiopático, quando os pelos aumentam com ciclos regulares e exames hormonais normais
  • Medicamentos, como anabolizantes e alguns hormônios
  • Alterações da tireoide e da prolactina
  • Excesso de cortisol (síndrome de Cushing), que é raro
  • Tumores produtores de androgênios, também raros

Sinais que pedem avaliação médica rápida

  • Pelos que aumentaram muito em poucos meses
  • Voz ficando mais grossa
  • Aumento do clitóris
  • Queda de cabelo acelerada com entradas
  • Aumento importante de massa muscular sem treino que explique
  • Parada da menstruação por mais de 90 dias

Exames que costumam ser pedidos

A lista depende da história de cada mulher, mas é comum o médico avaliar testosterona total e livre, SHBG, 17-hidroxiprogesterona, DHEA-S, prolactina, TSH e marcadores de glicose, como glicemia de jejum, hemoglobina glicada ou curva glicêmica. Em alguns casos entram ultrassom e outros exames de imagem.

Como o hirsutismo é tratado

Tratamento médico

O ginecologista, o endocrinologista ou o dermatologista podem indicar anticoncepcionais, medicamentos antiandrogênicos ou outras opções. Os antiandrogênicos exigem contracepção segura, porque podem afetar o desenvolvimento de um bebê. A escolha é individual e só o médico pode iniciar, trocar ou suspender qualquer medicação.

Como o pelo tem um ciclo de crescimento longo, a resposta ao tratamento hormonal costuma levar muitos meses para ser avaliada. Desistir cedo é um dos erros mais comuns.

Remoção dos pelos

Os tratamentos hormonais diminuem o estímulo para novos pelos grossos, mas os que já existem precisam de remoção. As opções incluem laser, luz intensa pulsada, eletrólise, cera e lâmina. O laser e a eletrólise devem ser feitos com profissional habilitado e indicação adequada ao seu tipo de pele e de pelo. E um mito que dá para desfazer: a lâmina não engrossa nem multiplica os pelos.

Estilo de vida e alimentação

Aqui entra o trabalho da nutrição. Ao melhorar a ação da insulina, a gente reduz um dos estímulos para a produção de androgênios e favorece o aumento da SHBG. Na prática:

  • Prato com vegetais, proteína e carboidrato de boa qualidade, para evitar picos de glicose e insulina
  • Menos açúcar, farinha refinada, bebidas adoçadas e ultraprocessados
  • Fibras em todas as refeições, vindas de feijões, legumes, frutas inteiras e sementes
  • Exercício de força e aeróbico, que melhoram a sensibilidade à insulina
  • Sono regular e manejo do estresse, já que o cortisol alto piora a glicose
  • Redução de peso, em quem tem excesso, feita com equilíbrio. Perdas de 5% a 10% do peso nessas mulheres podem melhorar ciclos e ovulação, e o ambiente hormonal como um todo

Na internet circulam chás e suplementos prometendo reduzir pelos. Alguns foram testados em estudos pequenos, sem evidência suficiente para uma recomendação geral. Qualquer chá em uso contínuo, fitoterápico ou suplemento deve ter indicação e dose definidas em consulta.

Mitos que atrapalham o cuidado

  • Pinça resolve. Arrancar pelos com frequência pode irritar a pele, causar pelos encravados e manchas. Para áreas grandes, outros métodos costumam ser melhores.
  • Se os pelos voltaram, o tratamento não funcionou. Remover os pelos não trata a causa, e tratar a causa não remove os pelos já existentes. As duas frentes são complementares.
  • É só emagrecer. A perda de peso ajuda muitas mulheres com excesso de peso, mas o hirsutismo também aparece em mulheres magras com SOP. O cuidado com a insulina e com os hormônios vale para todas.
  • Cremes clareadores de pelo são inofensivos. Produtos descolorantes podem irritar e manchar a pele do rosto. Use apenas com orientação.

O impacto emocional conta

O hirsutismo mexe com a autoestima, com a vida social e com a relação com o próprio corpo. Muitas mulheres dedicam bastante tempo e energia a esconder ou remover os pelos. Esse sofrimento é legítimo e faz parte do que deve ser cuidado. Apoio psicológico pode ajudar, e falar abertamente com o médico sobre o quanto isso incomoda muda a prioridade do tratamento.

Se o excesso de pelos faz parte do seu quadro de SOP, posso ajudar com a parte nutricional em consulta presencial em São Paulo, na Vila Nova Conceição, ou online, junto com o seu médico. Conheça o cuidado nutricional para pele, cabelo e pelos.

Perguntas frequentes

Pelo no queixo é sinal de SOP?

Pode ser. Pelos grossos e escuros no queixo são um sinal comum de excesso de androgênios, e a SOP é a causa mais frequente disso. Mas existem outras causas e variações familiares, por isso a avaliação deve ser feita com o ginecologista ou o endocrinologista.

Hirsutismo tem cura?

O hirsutismo pode ser bem controlado, mas quando a causa é a SOP ele depende de cuidado contínuo. Tratamento hormonal indicado pelo médico, remoção dos pelos e ajustes de estilo de vida se somam. A resposta é lenta e varia de mulher para mulher.

Alimentação diminui os pelos da SOP?

A alimentação ajuda a reduzir a insulina alta, que estimula a produção de androgênios. Com isso, pode diminuir o estímulo para novos pelos grossos ao longo do tempo. Ela não remove os pelos que já existem e funciona melhor junto com o tratamento médico.

Depilar com lâmina engrossa o pelo?

Não. A lâmina corta o pelo na superfície, e a ponta cortada pode parecer mais áspera ao crescer, mas o folículo não muda. Ela não engrossa nem aumenta a quantidade de pelos.

Quando o excesso de pelos é preocupante?

Quando os pelos aumentam muito em poucos meses ou vêm com voz mais grossa, aumento do clitóris, queda de cabelo acelerada ou parada da menstruação. Esses sinais pedem avaliação médica rápida para descartar causas menos comuns.

Carol Faria, nutricionista

Carol Faria

Nutricionista (CRN-3 26.791) e educadora física. Diagnosticada com SOP aos 14 anos, cuida de mulheres com SOP, resistência à insulina, fertilidade e gestação no consultório da Vila Nova Conceição, em São Paulo, e online.

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Este conteúdo é informativo e não substitui consulta individual com nutricionista ou médico. Não altere medicamentos sem orientação médica.

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